
(RESENHA DO CAPÍTULO III & IV)
Fernando Herández é doutor em Psicologia e Professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. Há mais de 20 anos tem dedicado sua vida pela inserção dos projetos didáticos na escola.
A principal proposta do educador espanhol Fernando Hernández é reorganizar o currículo por projetos. Ele se baseia nas idéias de John Dewey (1859-1952), filósofo e pedagogo norte-americano que defendia a relação da vida com a sociedade, dos meios com os fins e da teoria com a prática. Hernández põe em xeque a forma atual de ensinar. "Comecei a me questionar em 1982, quando uma colega me apresentou a um grupo de docentes", lembra. "Eles não sabiam se os alunos estavam de fato aprendendo. Trabalhei durante cinco anos com os colegas e, para responder a essa inquietação, descobrimos que o melhor jeito é organizar o currículo por projetos didáticos."
No capítulo 3, “Os projetos de trabalho e a necessidade de mudança na educação e na função da Escola”.
Segundo Hernández na introdução de sua obra: Transgressão e Mudança na Educação: os projetos de trabalho, fio condutor deste livro é a preocupação pela mudança na educação e que, se falamos de projetos, é porque a visão do conhecimento e do currículo que implicam pode contribuir para essa mudança na Escola, mas, sempre levando em conta que não são “a” mudança na educação, nem “a” solução para os problemas da instituição escolar, nem muito menos, dos que a sociedade leva à Escola.
Os projetos constituem um “lugar”, entendido em sua dimensão simbólica, que pode permitir:
- Aproximar-se da identidade dos alunos e favorecer a construção da subjetividade, longe de um prisma paternalista, gerencial ou psicologista, o que implica considerar que a função a Escola não é apenas ensinar conteúdos, nem vincular a instrução com a aprendizagem.
- Revisar a organização do currículo por disciplinas e a maneira de situá-lo no tempo e no espaço escolares.
- Levar em conta o que acontece fora da Escola, nas transformações sociais e nos saberes, a enorme produção de informação que caracteriza a sociedade atual, e aprender a dialogar de uma maneira crítica com todos esses fenômenos. A importância de assinalar um ponto de partida
Para o autor se palavras fossem usadas só num sentido, o significado de qualidade de ensino do qual falam como objetivo político, as autoridades educativas, seria o mesmo que reivindicavam as organizações de docentes ou as vozes que reclamam uma Escola que favoreça a eqüidade e o equilíbrio social.
Quando se utilizam os mesmos termos, não se está dizendo a mesma coisa e que, com o mesmo raciocínio, nem tudo já foi dito sobre o ensino e a aprendizagem. Se isso fosse assim afirma Hernández, as reformas educativas que acontecem hoje seguiriam os mesmos princípios pedagógicos e didáticos em todos os países, seria organizado o currículo de uma mesma maneira e os conteúdos seriam apresentados num enfoque universalizador. O hoje não é como o ontem, e o amanhã é incerto.
Os projetos de trabalho supõem o autor um enfoque do ensino que trata de ressituar a concepção e as práticas educativas na Escola, para dar a resposta às mudanças sociais, que se produzem nos meninos, meninas e adolescentes e na função da educação, e não simplesmente readaptar uma proposta do passado e atualizá-la.Os projetos e seus significados na história da escolaridade
Para Hernández a escola e as práticas educativas fazem parte de um sistema de concepções e valores culturais que faz com que determinadas propostas tenham êxito quando se conectam com algumas das necessidades sociais e educativas.
Métodos de projetos, centros de interesse, trabalham por temas, pesquisa do meio, projetos de trabalho são denominações que se utiliza de maneira indistinta, mas que respondem a visões com importantes variações de contexto e de conteúdo. Os anos 20: O método de projetos para aproximar a Escola da vida diária.
Em 1931, Fernando Sáinz, um professor dos movimentos renovadores espanhóis, enunciava um componente central do Método de Projetos: “O que se pretende é que o aluno não sinta diferença entre a vida exterior e a vida escolar” Esse propósito se tornará viável a partir da noção de atividade, como princípio que rege uma nova escola, na qual as crianças entram em contato, de uma forma mais organizada, com a herança da sociedade na qual vivem e aprendem da participação em experiências de trabalho e da vida cotidiana. Algumas idéias sustentam a primeira versão dos projetos:
• Partir de uma situação problemática
• Levar adiante um processo de aprendizagem vinculado ao mundo exterior à Escola. Oferecer uma alternativa à fragmentação das matérias.
Os anos 70: O trabalho por temas e a importância das idéias-chave. Bruner (1960, 1965), estabeleceu que o ensino deveria centrar-se em facilitar o desenvolvimento de conceitos-chave a partir das estruturas das disciplinas. Os projetos ou o trabalho por temas constituíram uma alternativa para abordar essa proposta na sala de aula. Bruner desenvolveu também outra idéia influente nesse contexto, a do Currículo em Espiral. O primeiro encontro dos alunos com as idéias-chave se realiza de uma maneira primitiva, depois durante a escolaridade irá abordá-las de maneira mais complexa. Se o professor lhe facilita os materiais e as atividades adequadas, o aluno pode desenvolver um nível mais elaborado de compreensão.
O ensino através de temas servirá como mediador para ir além das disciplinas, facilitando aos alunos a aprendizagem de conceitos e estratégias vinculadas a experiências próximas e interessantes para eles. Os professores, sobretudo do Ensino Fundamental, vão encontrar, nesse enfoque, eixos para ordenar as matérias que tinha que ensinar sem ser especialista.
Quando essas idéias e projetos foram levados à prática, sobretudo nos países de língua inglesa, alguns países da América Latina continuavam influenciados pela corrente tecnológica ou tratavam, como no caso da Espanha, de impulsionar iniciativas que tentavam mudar a Escola e instaurar a democracia. Os anos 80: O auge do construtivismo e os projetos de trabalho.
O impacto da denominada revolução cognitiva na forma de entender o ensino e a aprendizagem e as mudanças nas concepções sobre o conhecimento e o saber derivado das novas tecnologias de armazenamento, tratamento e distribuição da informação, além do controle da economia por parte dos mercados financeiros, as mudanças nas relações sociolaborais e a revisão do papel do Estado na provisão das necessidades dos cidadãos, vão estabelecer uma série de mudanças na educação escolar e explicam em parte porque os projetos voltam a ser objeto de interesse.
Às mudanças sociais anteriores deveriam ser acrescentadas à relevância da visão construtivista sobre a aprendizagem, a idéia de que o conhecimento existente na aprendizagem exerce uma poderosa influência em como se adquire novo conhecimento, a importância que se dá ao contexto de aprendizagem, situar os conteúdos em relação à cultura na qual se deverá utilizar e o resultado da pesquisa sociocultural que manifestou o valor que, para favorecer a aprendizagem, tem a criação de um marco de participação e interação, não só entre os alunos, mas também com a comunidade. Os projetos de trabalho e a necessidade de abordar a complexidade do conhecimento escolar. Os projetos de trabalho e a visão educativa à qual se vinculam convidam a repensar a natureza da Escola e do trabalho escolar, pois requerem uma organização da classe mais complexa, uma maior compreensão das matérias e dos temas em que os alunos trabalham, o que faz com que o docente atue mais como guia do que como autoridade. Os projetos podem contribuir para favorecer, nos estudantes, a aquisição de capacidades relacionadas com:
• a autodireção: favorece as iniciativas para levar adiante, por si mesmo e com os outros, tarefas de pesquisa;
• a inventiva: a utilização criativa de recursos, métodos e explicações alternativas;
• a formulação e resolução de problemas, diagnóstico de situações e o desenvolvimento de estratégias analíticas e avaliativas;
• a integração: favorece a síntese de idéias, experiências e informação de diferentes fontes e disciplinas;
• a tomada de decisões, já que será decidido o que é relevante e o que se vai incluir no projeto;
• a comunicação interpessoal: deverá contrastar as próprias opiniões e pontos de vista com outros e tornar-se responsável por elas.A pesquisa sobre a compreensão.
A Psicologia cognitiva de caráter construtivista trata de compreender as funções mentais de ordem superior em termos de processo e de construção simbólica.
A organização mental do conhecimento que o sujeito possui e o nível de autoconsciência que tem sobre o seu próprio conhecimento, são fatores que devem ser levados em conta no momento de avaliar um processo de aprendizagem de um indivíduo, juntamente com:
• o conhecimento base que possui;
• as estratégias que utiliza para aprender;
• a sua disposição para a aprendizagem.
Falamos de projetos de trabalho, ...mas nos interessa o ensino para a compreensão e a mudança da Escola.
Na cultura contemporânea, uma questão fundamental para que um indivíduo possa “compreender” o mundo em que vive é que saiba como ter acesso, analisar e interpretar a informação. Na educação escolar (desde a Escola infantil até a universidade), supõe-se que se deva facilitar esse aproveitamento, num processo que começa, mas que nunca termina, pois sempre podemos ter acesso a formas mais elaboradas e relacionais de conhecimento da realidade e de nós mesmos. Esse caminho que vai da informação ao conhecimento pode ser realizado por diferentes vias, ou seguindo diversas estratégias. Uma das mais relevantes seria a consciência do indivíduo sobre o seu próprio processo como aprendiz. Ensinar mediante projetos, não é fazer projetos. Aspectos que caracterizam os projetos de trabalho são:
• Um percurso por um tema-problema que favorece a análise, a interpretação e a crítica (como contraste de pontos de vista).
• Onde predomina a atitude de cooperação e o professor é um aprendiz, e não um especialista (pois ajuda a aprender sobre temas que irá estudar com os alunos).
• Um percurso que busca estabelecer conexões entre os fenômenos e que questiona a idéia, de uma versão única de realidade.
• Cada percurso é singular e é trabalhado com diferentes tipos de informação.
• O docente ensina a escutar, do que os outros dizem também podemos aprender.
• Há diferentes formas de aprender aquilo que queremos ensinar.
• Uma aproximação atualizada aos problemas das disciplinas e dos saberes. A seleção dos temas dos projetos se encontra como foi indicado, mediatizada pela cultura da organização do currículo por matérias disciplinares.
• Uma forma de aprendizagem que se leva em conta que todos os alunos podem aprender, se encontram um lugar para isso. Uma das possibilidades apresentadas pelos projetos é que todos os alunos podem encontrar seu papel.
• Não se esquece de que a aprendizagem vinculada ao fazer, à atividade manual e à intuição também é uma forma de aprendizagem. Favorecer o ensino para a compreensão como finalidade dos projetos de trabalho.
A finalidade do ensino é promover, nos alunos, a compreensão dos problemas que investigam. Compreender é ser capaz de ir além da informação dada, é poder reconhecer as diferentes versões de um fato e buscar explicações além de propor hipóteses sobre as conseqüências dessa pluralidade de pontos de vista.
Compreender é uma atividade cognoscitiva e experiencial, de tradução-relação entre uma informação, um problema e o conhecimento pessoal e grupal que se relaciona com ela. Essa relação supõe estabelecer caminhos entre o passado e o presente, entre os significados que diferentes culturas outorgam às manifestações simbólicas e às versões dos fatos objetos de estudo. Algumas dúvidas que surgem quando se fala de projetos de trabalho.
Com freqüência os docentes perguntam se tudo se pode ensinar por meio de projetos. Isso não deixa de ser uma questão com algo de armadilha, porque nunca a Escola ensina “tudo”. Ninguém põe em dúvida que os alunos devem aprender a ler e escrever, calcular e resolver problemas, identificar fatos históricos e artísticos, acidentes geográficos e compreender conceitos científicos. Deverão saber interpretar dados, apresentar argumentos a favor e contra e aprender sobre a natureza do conhecimento do qual se aproximam.
Os projetos assim entendidos apontam outra maneira de representar o conhecimento escolar baseado na aprendizagem da interpretação da realidade, orientada para o estabelecimento de relações entre a vida dos alunos e professores e o conhecimento que as disciplinas e outros saberes não disciplinares vão elaborando. Tudo isso para favorecer o desenvolvimento de estratégias de indagação, interpretação e apresentação do processo seguido ao estudar um tema ou um problema, que por sua complexidade, favorece o melhor conhecimento dos alunos e dos docentes de si mesmos e do mundo que vive.
No capítulo 4, “A avaliação como parte do processo dos projetos de trabalho”.
A finalidade da avaliação era proporcionar uma visão retrospectiva sobre a aprendizagem do aluno e medir o aprendido antes de adentrar-se em séries posteriores ou receber uma qualificação que permitisse um exercício profissional. Partindo disso aparecem duas funções primordiais presentes na avaliação: recapitulação (armazenamento) e seleção social. Podem-se distinguir três fases no processo de avaliação da aprendizagem dos alunos, que tem distintas funções e implicações:
• Na avaliação inicial: pretende-se detectar os conhecimentos que os estudantes já possuem quando começam o curso ou o estudo de um tema. Com ela os professores podem se posicionar diante do grupo para planejar melhor seu processo de ensino.
• A avaliação formativa é a que se supõe que deveria estar na base de todo o processo de avaliação. Sua finalidade é de ajudar os estudantes a progredir no caminho do conhecimento, a partir do ensino que se ministra e das formas de trabalho utilizadas em sala de aula.
• A avaliação recapitulativa, se apresenta como um processo de síntese de um tema, um curso ou um nível educativo, que permite reconhecer se os estudantes alcançaram os resultados esperados, adquiriram algumas das destrezas e habilidades propostas, em função das situações de ensino e aprendizagem planejadas. A perspectiva de mudança e a avaliação nos projetos de trabalho. Durante a última década, produziu-se uma série de mudanças nas concepções sobre o ensino e a aprendizagem que teve repercussões importantes no momento de apresentar novas visões e práticas sobre a avaliação, tais como:
• da preocupação sobre como recordar informação, passou-se ao interesse sobre como transferi-la a outras situações;
• de destacar a importância de saber aplicar fórmulas previamente aprendidas ou memoriza-las para resolver problemas, passou-se à necessidade de planejar-se problemas e encontrar estratégias para resolvê-los;
• a importância dos resultados se transformou no interesse pelos processos da aprendizagem do aluno;
• na valorização da quantidade de informação, da recitação de memória está dando lugar a destacar a importância do saber como capacidade para buscar de forma seletiva, a ordenar e interpretar informação, para dar-lhe sentido e transforma-la em conhecimento.
O portfólio como reconstrução do processo de aprendizagem nos projetos de trabalho.A função do portfólio se apresenta como facilitadora da reconstrução e da reelaboração por parte de cada estudante de seu próprio processo ao longo de um curso ou de um período de ensino. A utilização do portfólio como recurso de avaliação é baseado na idéia da natureza evolutiva do processo de aprendizagem. O portfólio oferece aos alunos e professores uma oportunidade de refletir sobre o progresso dos estudantes em sua compreensão da realidade, ao mesmo tempo em que possibilita a introdução de mudanças durante o desenvolvimento do programa de ensino.
Como assinala Gardner, no portfólio é possível identificar questões relacionadas com o modo como os estudantes e os educadores refletem sobre quais são os objetivos de sua aprendizagem, aqueles que foram cumpridos e os que não foram cobertos, onde foi enfocado de maneira inadequada o esforço para a aprendizagem e em que direções tornam-se mais promissor enfocá-lo para o futuro. Permite que cada aluno reconstrua seu processo de aprendizagem.
O portfólio tenta abordar algumas problemáticas relacionadas à representação do conhecimento elaborado pelos alunos, ao mesmo tempo em que introduz outras que requerem mudanças com respeito a situação atual da formação dos professores, à perspectiva sobre o ensino e a aprendizagem, ao papel dos alunos, à interação docente, à definição dos conteúdos e sua relação com as atividades.
No livro Transgressão e mudança na educação de Fernando Hernández o autor aborda uma mudança na educação escolar, na expectativa de construir uma relação educativa, envolvendo professores, escola e a comunidade.
Ele considera o professor um transgressor, que ao estar atualizado deve buscar em seus alunos não somente as habilidades, competências, e aprendizagens, ma sim, contextualizar seus conhecimentos em relação à sociedade e comunidade. Defende um currículo de forma interdisciplinar (um novo nível de linguagem, uma nova forma de pensar e agir, caracterizando por relações, articulações e mobilizações de conceitos e metodologias) ao ir contra a um currículo centrado em disciplinas, na qual não tem sentido com a realidade do aluno, perdendo dessa forma seu interesse além de torná-los alienados, oprimidos de fácil domínio.
Fernando Hernández responsabiliza a escola também na educação infantil, onde ele valoriza e destaca como importante esta fase do desenvolvimento da criança, pois é nessa fase que elas trazem consigo muitas curiosidades e questionamentos, na qual não podem ser tratados como adultos desconsiderando seus conhecimentos inatos.
Para o autor, o professor perdeu a autonomia quando faz referencias descontextualizadas de seus alunos, por não saber de onde vem, onde vivem e como vivem seus alunos, ou mesmo quais as necessidades da comunidade que está inserida a escola em que trabalha.
O livro trata de várias questões importantes, citadas na resenha, mas, me chamou a atenção quando Fernando Hernández, fala que o educador tem que ser criativo, quando não obtém recursos e matérias, para exercer seu trabalho devido às dificuldades que encontra nas escolas, ao mesmo tempo ter que cumprir com uma jornada de trabalho em diversas escolas para aumentar seus rendimentos.
Concluí com base nos relatos do autor, que foi importante a leitura capítulos III e IV por ser um assunto desafiador a ser enfrentada pelos educadores e por mim como pedagoga, que busca uma formação fundamentada, atualizada, nas quais serão necessárias para enfrentar situações de constantes mudanças da sociedade.
Por fim é importante, enfatizar que se deve buscar mais informações para criar novas alternativas, dando significado formação para poder exercer uma prática de ação, oferecendo novos conhecimentos, na busca de transformar o velho conhecimento em novas práticas educativas.
A leitura dos capítulos III e IV do livro Transgressão e mudança na educação: o projeto de trabalho de Fernando Hernández mostra em sua introdução que a preocupação com a mudança da educação é o fio condutor de sua obra.
O autor no capítulo III nos coloca: “e que se falamos de projetos é porque a visão de conhecimento e do currículo que implicam pode contribuir para essa mudança na Escola”, mas Hernández também aborda que os projetos não são a mudança nem a solução para os problemas que as Instituições Educacionais possuem, ou ainda problemas que a própria sociedade leva à Escola.
Mas o autor deixa claro neste capítulo que os projetos podem permitir: aproximar-se da identidade dos alunos favorecendo a construção da subjetividade, revisar a organização do currículo por disciplina, situando-o no tempo e espaço escolar, levar em conta o que acontece fora dos espaços da Escola, nas transformações sociais e nos saberes, aprender dialogar de uma maneira critica esses fenômenos e outros que acometem a sociedade e as Instituições Escolares.
Sendo assim podemos pensar que trabalhar com projetos é uma maneira de repensar as práticas educativas, favorecendo não apenas o aprendiz enquanto estudante, mas como cidadão inserido em uma sociedade que precisa da escola para aprender, não somente dos conteúdos disciplinares, mas outros aspectos que dentro de um projeto podem ser estudados, pesquisados, problematizados, pensados de forma interessante para que o ensino-aprendizagem se dê de forma simultânea.
O autor nos faz refletir que é necessária sim uma mudança, ou seja, repensar em uma prática educativa onde as concepções de ensino sejam modificadas de forma que haja uma mudança social e que nós não devemos readaptar uma proposta do passado ou utilizá-la, pois as propostas da escola ou das práticas educacionais sempre terão um êxito quando estiverem conectadas com algumas das necessidades sociais e educacionais.
Enfim o autor Fernando Hernández nos deixa a reflexão de que os projetos nos dão a direção de uma prática educacional mais transparente onde podemos de certa forma fazer a conexão entre o conhecimento escolar e a realidade dos aprendizes e dos professores, tornando o conhecimento por vezes complexos, capaz de despertar os mesmos o interesse de aprender tal contexto, favorecendo assim o desenvolvimento das crianças em suas pesquisas, indagações, interpretações no processo do ensino- aprendizagem de determinado tema. Dando a oportunidade a eles e professores o conhecimento de si mesmo e uma visão mais ampla do mundo em que vivem.
E para avaliar tal processo o autor nos dá um exemplo da utilização do Portfólio e que está no capítulo IV. Para Hernández o Portfólio tem a função de reconstruir e reelaborar o processo de cada estudante durante determinado percurso de ensino, avaliando de forma evolutiva e natural o processo de cada estudante durante sua aprendizagem favorecendo à reflexão e a compreensão da realidade, possibilitando assim as mudanças de ensino-aprendizagem.
Ao Finalizar, a leitura dos capítulos III e IV da obra de Fernando Hernández Transgressão e mudança na educação: o projeto de trabalho pode-se analisar que as mudanças educacionais às vezes tão aquém do que pensamos podem estar próximas basta que nós enquanto docentes exerça o papel de protagonista dessa mudança, ou seja, colocar muito do que está nesta obra em prática, ou ainda fazer a reflexão e ação para que as mudanças aconteçam.
Sabendo que essas mudanças educacionais são necessárias e muitas propostas de trabalho dentro do contexto educacional buscam e possibilita tais mudanças, como exemplo: os projetos de trabalho. Devemos então utilizá-los como forma de interesse e motivação para que haja o equilíbrio entre o ensino-aprendizagem, tornando o aprendiz ativo em seu processo, fazendo a relação entre o conhecimento e sua realidade social. Para tornar-se criativo, reflexivo, crítico, cidadão que através das relações e transferências do conhecimento para suas vivências continue aprendendo, pois a aprendizagem nunca se esgota é um processo contínuo em nossas vidas, como um Portfólio que agrega conhecimentos, e concepções que durante o processo são pesquisadas, analisadas e pensadas para dar lugar a uma nova concepção que fará a diferença ou a mudança trazendo a equidade entre escola e sociedade.
Os projetos favorecem a subjetividade e identidade dos aprendizes consciência do próprio processo de aprendizagem.
Segundo Hernández a idéia de solucionar um problema pode servir de fio condutor entre as diferentes concepções sobre os projetos.
O Projeto de trabalho precisa estar relacionado com os conteúdos, para não perder o foco e é fundamental estabelecer limites e metas para a conclusão do trabalho.
Para o autor, “Método de projetos, centros de interesse, trabalho por temas, pesquisas do meio, projetos de trabalho são denominações que se utilizam de maneira distinta, mas que respondem a visões com importantes variações de contexto e de conteúdo”.
Hernández sugere uma ênfases atual na prática de ensino, para as crianças aprendam de maneira globalizada, e repensar a educação e a escola como meios de favorecer a compreensão de si mesmo e do mundo que lhe rodeia.
A grande contribuição deste livro é trazer relatos e experiências de uma avaliação inovadora que possa fazer parte do próprio processo de aprendizagem, e cabe ao professor organizar critérios de complexidade, evidências nas quais se reflita o aprendizado dos alunos.
A avaliação deve fazer parte da rotina do trabalho por projetos e deve estar alicerçada em três momentos, não como uma fórmula, mas, sim uma forma de diálogo do professor com o conhecimento que os alunos vão construindo em uma avaliação inicial, formativa e recapitulativa.
Neste contexto, o autor aponta uma mudança nas concepções de avaliação, sobre o ensino e a aprendizagem, que merece destaque em sua obra, o “portfólio”, prática habitual em seu meio.
Acreditamos na utilização do portfólio como recurso de avaliação, baseada na idéia evolutiva do processo de aprendizagem, como facilitador da reconstrução e da reelaboração por parte de cada estudante de seu processo ao longo do curso ou de um período de ensino.
Referencias:
HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e Mudança na Educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: ARTMED, 1998